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[Editorial em discussão] O futuro (da pesquisa) [15ª Edição]

7 mensagens neste tópico

Mais uma vez, e a pedido de utilizadores, decido publicar em formato post o editorial desta edição para que possa haver uma discussão sobre o assunto ou argumentação contra a tese do autor.

O futuro (da pesquisa)

Quando se fala em pesquisa decerto todos reconhecem o nome Google quase ao ponto de sinónimo, não apenas de pesquisa, mas mais importante que isso, de pesquisa com sucesso. Ao longo dos anos o Google tem sabido manter-se na ribalta do acesso ao conhecimento em todo o mundo, enveredando por outros projectos mas dando sempre a devida atenção à inovação (que os marcou desde o inicio) no seu produto principal. Menos conhecido, menos acedido e utilizado em terras lusas, mas igualmente popular a nível mundial encontra-se o Digg, representando o conceito de website social relativo a notícias. O conceito é trivial mas a ideia inovadora para a altura: notícias são submetidas por utilizadores sendo promovidas por votos positivos destes.

O que têm em comum estes dois gigantes do seu ramo? Bem, nos últimos dias (segunda semana de Julho) foi reportada pelo TechCruch uma nova "feature" do Google que parece agregar o conceito do Digg às pesquisas de utilizadores, ou seja, cada um tem a possibilidade de enviar um resultado do Google para os confins da numeração de páginas, ou trazer outro para o topo. Além disso há a possibilidade de comentar os websites e os seus respectivos comentários, com um sistema de pontuação bastante semelhante ao do Digg. Com isto qualquer um poderá pôr o resultado que realmente lhe interessa como primeiro a ser retornado pelo Google para aquelas keywords, o que é algo que faz bastante sentido. A maneira como esta componente social influenciará num todo no futuro os resultados do Google será algo interessante de analisar.

Posto isto algo desde logo salta à vista: tudo o que antes recebíamos como passivo está a evoluir para algo activo. O tempo em que o utilizador não tinha nada a dizer na informação que recebia acabou. Já ninguém quer receber passivamente informação sem ter voto na matéria, os utilizadores querem a escolha e a decisão. E tudo isto faz sentido. Toda a Internet já percebeu isso, mas seria interessante que não só este meio virtual aderisse a este estilo.

A televisão começa a ser menosprezada pela Internet, onde cada um vê o que quer às horas que quer e a televisão não ganhará de novo a batalha se não se converter ao mesmo género. As mais recentes tentativas na área da televisão em Portugal são boas, mas ainda não representam o estado real em que os utilizadores se encontram. A verdadeira televisão do futuro pode mostrar ao utilizador sempre que ele queira um programa da semana passada, instantaneamente e sem a construção de enfadonhos planos de gravação agendada. A própria rádio usual já não faz sentido. Decerto utilizadores da Internet habituados a ouvirem apenas o que gostam em rádios de serviços como o Last.fm deverão já achar ridículo alguém se submeter a ouvir algo que pode muito bem não corresponder em nada aos seus gostos. Seria importante que muita gente olhasse para a web e começasse a aplicar o que lá vê às mais pequenas coisas da nossa sociedade, a nossa maneira de receber e lidar com a informação seria bem melhor.

Veremos o que o futuro nos reserva…

………………………………………..

Uma nota para a mudança dos meses de publicação da revista, estes são agora os meses pares. Esperamos que a decisão não tenha prejudicado ninguém e que continuem a confiar neste projecto.

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Obrigado Miguel.

O problema do Google, a meu ver, é tanto de forma como de conteúdo. É também um problema de estratégia que necessariamente nunca poderá ser compatível com as necessidades dos utilizadores que não partilham dos mesmos interesses comerciais do Google.

Eu confesso já a partida uma certa descrença e algum desapontamento em relação ao Google que foi crescendo ao longo dos últimos 3 anos (mais coisa, menos coisa). Portanto a minha opinião será também sem dúvida motivada por este estado de espírito. No entanto ele tem uma razão de ser; a fraca qualidade do serviço prestado em função de um algoritmo que hoje acredito não ser nada do que é anunciado e a continuidade de prestação de um serviço que já deveria ter evoluído. Na realidade nem nunca deveria ter sido criado na forma em que o foi. Mas isso é outra discussão. Lá iremos um dia.

Mas vamos por partes...

Toda esta noção da Web 2.0 é a meu ver um autêntico absurdo. A noção que a web é um espaço multi-cultural de partilha de informação e de participação activa dos seus utilizadores é exactamente o que fez a web o que é hoje. Sempre foi assim. Na realidade... já o era no tempo das BBS! Não existe nenhuma Web 2.0. Ou se existe, então existe desde 1988. É mais um chavão cujo o único objectivo é o de promover a comercialização de produtos e serviços que lhe estão associados e que, francamente, não precisamos. Até o próprio Berners-Lee aconselha moderação (lá mais para o fim da entrevista).

Toda esta ideia que se parece ter fixado na mente do consumidor que só interessa se tiver uma social-network é um erro. As social-networks da web são um dos piores locais para se estar. É um ambiente adverso por ser viciante e agressivo. Olhemos bem para dentro de serviços como o Digg. Mas sejamos honestos na nossa avaliação. Onde está o valor? Eu quero mesmo saber o que o Andlazkhyn ou o Amatpromeian Cyranothc (ou melhor, o Fev3Har e o LOLZ43html) pensam do website com as bolinhas vermelhas? Quanto muito posso querer saber onde é que o pessoal anda a votar... mas a social network especificamente é, e sempre será uma miragem. De que me interessa um ambiente onde a minha opinião é confrontada com "Lolz", "Shutup!", "You are so cool!", "I agree". A social network é, lamento dizer, povoada na sua esmagadora maioria pelos inergumonus ou os imaturos da nossa sociedade.

...

Podem então calcular a minha aflição quando olho para o Google e vejo-o tornar mais uma social network. Pergunto-me se estão a brincar comigo.

O que é que me interessa no Google? Pesquisa de páginas web. Nada mais, nada menos. É por causa desse "nada mais, nada menos" que o Google se tornou um gigante em 1999! Lembram-se? Nada de truques. Nada de publicidade idiota ou serviços desnecessários. O Google era (e ainda é) minimalista, rápido e eficiente. A Yahoo desde então só viu poeira.

Mas então estamos em 2008. A dimensão da web é já hoje inacreditável. Posso fazer uma pesquisa no Google por "website"  e serem-me apresentados 1,720,000,000 resultados. Se eu demora-se um segundo a verificar cada um destes resultados, precisaria de 54 anos sem nunca largar o computador para consultar toda a lista! Portanto eu pergunto... ainda é adequado apresentar resultados de pesquisa num formato de listagem vertical nos dias que correm? Pergunto também, onde está a inovação no tratamento e organização de resultados que é o apanágio de qualquer modelo de pesquisa de dados? Desde 1992 que não evoluímos em absolutamente nada neste sentido quando um Motor de Pesquisa Web não era mais do que uma listagem mantida por um homem.

Quando vejo a Google a estudar modelos de organização de dados onde estão a colocar nas minhas mãos a decisão de organizar ou não a informação que me é apresentada, eu pergunto-me se não estarei eu a fazer o trabalho que a Google deveria ter feito. Quando ainda por cima esse estudo envolve um modelo de social network que me permitirá eventualmente consultar a web como ela é preferida pela globalesfera, pergunto-me se isso não é exactamente a mesma coisa do que não fazer nada, uma vez que são os links que hoje ditam se um website é preferido ou não...

Sem dúvida que não posso negar o valor de poder alterar a forma como quero ver os resultados apresentados... ou poderei? Claro que posso! Quantas vezes vou pesquisar a web por "bichinho alacre e sedento"? Uma vez talvez. Até me lembrar que o poema era do António Gedeão. Eu vai de organizar a listagem, porque me apetece naquela momento, para só voltar a pesquisar por estas palavras daqui a 5 anos quando me voltar a esquecer. Francamente! Qual a utilidade disto?

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Toda esta ideia que se parece ter fixado na mente do consumidor que só interessa se tiver uma social-network é um erro. As social-networks da web são um dos piores locais para se estar. É um ambiente adverso por ser viciante e agressivo. Olhemos bem para dentro de serviços como o Digg. Mas sejamos honestos na nossa avaliação. Onde está o valor? Eu quero mesmo saber o que o Andlazkhyn ou o Amatpromeian Cyranothc (ou melhor, o Fev3Har e o LOLZ43html) pensam do website com as bolinhas vermelhas? Quanto muito posso querer saber onde é que o pessoal anda a votar... mas a social network especificamente é, e sempre será uma miragem. De que me interessa um ambiente onde a minha opinião é confrontada com "Lolz", "Shutup!", "You are so cool!", "I agree". A social network é, lamento dizer, povoada na sua esmagadora maioria pelos inergumonus ou os imaturos da nossa sociedade.

Vou ser honesto, já tentei por diversas vezes utilizar o Digg, e acabei sempre por me afastar. Acabo sempre por achar as top-stories biased, seguindo uma dada linha que embora por vezes apoie, farta ver continuamente promovida. Prolongando este aparte apenas por mais um pouco, já por muitas vezes utilizadores tentaram expôr ,no próprio Digg, que este é (como qualquer social-network é a soma dos seus utilizadores, penso que posso referir o ver ser), por exemplo, um site anti-semitista e anti-repúblicano.

E talvez este seja verdadeiramente um problema das social networks: porque raio o que é o melhor para os outros será o melhor para mim? A questão é que não é esse o objectivo, a front-page do Digg representa apenas o que a maior parte dos utilizadores pensam que vale a pena, ou que vai de acordo com a sua ideologia. Onde entro EU em todo o processo (e se não houvesse o EU não seria uma social network)? Eu tenho o poder de influenciar esses resultados globais com a minha opinião. Pode não mudar nada, mas está lá.

Participar numa SN é um processo livre, não tenho necessariamente de me incomodar, no caso do Digg, com o que acham os utilizadores de certa notícia, mas tenho o poder, que antes não tinha, e ainda não se tem com imprensa escrita, da minha decisão influenciar, ainda que pouco, aquilo que tanto me pode ser apresentado como é apresentado aos outros.

Dizes que a web sempre pela sua definição seria o que agora é chamado 2.0. Eu concordo que a web sempre teve um espírito de participação à escala global, mas nem toda a web era 2.0. Não achas que houve mudança? Imagina acederes ao site do público, tens lá notícias, será que elas te interessam? Podes fazer alguma coisa quanto a isso? Imagina que o público começa a criar algo social,e como tal tens o poder de dar um UP àquilo que gostas. O público com um processo algoritmico começa-te a dar na first page notícias semelhantes. Isto é web 2.0! E repara que nada do que aqui falei teve a ver com os outros utilizadores. Web 2.0 não é só uma participação à escala global mais evidenciada, é personalização. É isso mesmo que poderás vir a fazer com o Google.

Quando vejo a Google a estudar modelos de organização de dados onde estão a colocar nas minhas mãos a decisão de organizar ou não a informação que me é apresentada, eu pergunto-me se não estarei eu a fazer o trabalho que a Google deveria ter feito. Quando ainda por cima esse estudo envolve um modelo de social network que me permitirá eventualmente consultar a web como ela é preferida pela globalesfera, pergunto-me se isso não é exactamente a mesma coisa do que não fazer nada, uma vez que são os links que hoje ditam se um website é preferido ou não...

Tenho as minhas dúvidas, embora será interessante analisar, que o comportamento global dos utilizadores num sistema up/down do global vá mudar muito a ordem dos resultados actuais. Mas tu terás a tua área isolada onde só tu e os teus gostos interessam. Web 2.0 não é só exposição mas também isolamento. Se quiseres tens o teu pequeno quarto onde só tu é que mandas, dão-te esse poder. Certamente não te sei referir um exemplo em que precises que um certo resultado da listagem do google seja o teu primeiro, mas o belo da coisa é que tens esse poder, caso queiras. Porquê darem-te então esse poder? Porque o próprio Google deve admitir que não te conhece, e não te conhecendo não sabe se realmente se o que tu queres no top result para uma certa keyword é o que todo o resto do mundo quer. Vês, analisando apenas a SN à escala global, nada muda, mas dando-te o poder de fechares os olhos a tudo isso e tu próprio definires o que lá queres é completamente diferente e novo.

Estarás tu a fazer o trabalho pelo Google? Em parte, mas eu presumo que tal sistema seria só o começo. Posteriormente, a medida que os teus up&downs fossem ficando registados, talvez (e isto é evolução que está a acontecer no Digg) comece o próprio sistema a conseguir adivinhar por ti os top results que deverá apresentar, para que não tenhas de fazer nada.

Estou a gostar da discussão marfig. ;)

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Dizes que a web sempre pela sua definição seria o que agora é chamado 2.0. Eu concordo que a web sempre teve um espírito de participação à escala global, mas nem toda a web era 2.0. Não achas que houve mudança? Imagina acederes ao site do público, tens lá notícias, será que elas te interessam? Podes fazer alguma coisa quanto a isso? Imagina que o público começa a criar algo social,e como tal tens o poder de dar um UP àquilo que gostas. O público com um processo algoritmico começa-te a dar na first page notícias semelhantes. Isto é web 2.0! E repara que nada do que aqui falei teve a ver com os outros utilizadores. Web 2.0 não é só uma participação à escala global mais evidenciada, é personalização. É isso mesmo que poderás vir a fazer com o Google.

Com toda a franqueza não acho que tenha havido muitas mudanças, Miguel. Mais um amadurecimento das tecnologias de sempre o que necessariamente levou à sua utilização para todo o tipo de fins. Veja-se o Ajax - uma solução que existe praticamente desde que o JavaScript existe e que no entanto só recentemente foi entendida e explorada. O que levou curiosamente a também a um recrudescimento da SN (Social Network). No entanto muitos autores sorriem quando lhes falam do Ajax, porque eles têm usado o XHTMLHttpRequest desde sempre.

Mas a SN esta sempre existiu com outras formas. Desde os Newsgroups que transferiram para a internet o legado das BBS, as Mailing lists, mais tarde o IRC, e os web forums, finalmente a Blogosfera. Não existe uma real revolução que justifique a grandeza de um "Web 2.0". Tanto que o termo é um buzzword, um a chavão que não é reconhecido por muitos ou realmente entendido por ninguém. Tal revolução terá necessariamente que ser tecnológica, a meu ver. O que seria para mim a Web 2.0? Será o IPv6 sem dúvida, a substituição do HTML (um tema vasto ao qual decidi providenciar apenas este link. Poderá ser discutido noutra altura), a solução para problemas eminentes como web fonts, a procura de novos protocolos mais adequados às exigências dos dias de hoje bem como a unificação da programação web. Estes, e talvez outros mais são alguns dos aspectos que a meu ver colocam a internet em geral, e a web em particular, no caminho do tal titulo de 2.0. Nunca, de modo algum, a dita SN que ninguém sabe bem o que é que que todos sabem ser tão velha quanto a internet... e mais ainda.

Já agora... Penso que a blogosfera é realmente digna de nota naquilo que se pensa ser a SN (não existe uma definição formal do termo no contexto da internet). Se existe um componente da positivo (pese embora também digno de crítica aqui e ali) esse é a blogosfera e a revolução que imprimiu no sentido de descrever e formalizar a participação do utilizador e a partilha de ideias de uma forma que nenhuma das soluções e tecnologias que atrás referi talvez o tenham feito. Mas a blogosfera limitou-se a dar forma a um movimento que sempre existiu, é preciso lembrar. Até porque de outra forma não teria tido nunca o impacto que teve e com a rapidez que conhecemos.

Questiono portanto o valor Social de serviços como o Digg. O problema é que parece que tudo o que tem um campo para o utilizador deixar uma nota, ou tudo o que envolve a partilha de uma experiência passa a ser uma SN, nos dias de hoje. Mas olhando para a definição mais formal (sociológica) de uma SN, vemos que falta algo a serviços como o Digg (ou o actualmente a ser estudado pela Google); a meu ver, as conecções entre os nodes. Algo que só se consegue em serviços mais orientados, como todos os restantes mencionados até agora. Ou seja O Digg é um agregado de opiniões, tal como o Google parece querer vir a ser. e isto leva-me a...

Apesar de todas estas diatribes , a verdade é que o Digg foi criado para esse efeito. O Digg é o Digg e os seus autores quiseram que fosse assim. Portanto a minha critica vale o que vale. Mas o Google é diferente. O Google é um motor de pesquisa, não é um evento social. Qual o valor de um Digg-like Google? E quais as consequências? Eis o que penso...

Tenho as minhas dúvidas, embora será interessante analisar, que o comportamento global dos utilizadores num sistema up/down do global vá mudar muito a ordem dos resultados actuais. Mas tu terás a tua área isolada onde só tu e os teus gostos interessam. Web 2.0 não é só exposição mas também isolamento.

Concordo.

Porquê darem-te então esse poder? Porque o próprio Google deve admitir que não te conhece, e não te conhecendo não sabe se realmente se o que tu queres no top result para uma certa keyword é o que todo o resto do mundo quer.

E aqui começam os problemas Miguel. O Google já praticamente matou o SEO. Na realidade serviços SEO para a web são o equivalente do vendedor de automóveis usados; basicamente vendem gato por lebre porque a verdade é que ninguém sabe o que está por detrás do algoritmo do google. Com a adição deste serviço em que o utilizador passa a controlar o que quer ou não ver (vá-se lá saber porquê, uma vez que o principio da pesquisa é que não se sabe o que esta vai devolver, mas adiante) o SEO leva o golpe de misericórdia.

Por outro lado, para que o resultado de uma pesquisa seja fiável, o Google não tem de me conhecer. Na realidade, isso é o que eu não quero que o faça. Onde é que fica a objectividade de uma pesquisa no meio de tudo isto, quando a metodologia não poderia ser mais subjectiva? A não ser que o Sergey Brin e o Larry Page tenham de repente descoberto o algoritmo para perceber o mais intimo de nós em função dos nossos comportamentos (algo que gerou duas ciências e que ainda hoje se procuram respostas) qualquer tentativa nessa sentido será a) insuficiente ;) produzirá falsos resultados e c) profundamente errada.

E aqui voltamos ao problema essencial... uma pesquisa web tem de ser objectiva. Penso que é seguro afirmar que o Google não cairá nesse erro e muito provavelmente a pesquisa Google dita normal poderá não vir a ser influenciada por esta componente SN(?). Sinceramente espero que assim venha a ser. Preferia no entanto que toda a energia dispendida no desenvolvimento deste tipo de soluções, o fosse no entanto no core dos serviços Google. Isto é, no PangeRank (e muito há a fazer aqui) e na criação de um novo modelo de apresentação de resultados, tal como sugeri no post anterior.

Porque... e aqui termino com as consequências... neste momento existe esse vazio. Um vazio que vai ser mais evidente nos próximos anos. Este tipo de soluções prendem a Google ao actual modelo. Não lhe dão o espaço para respirar e procurar novas alternativas. E quem conseguir preencher esse vazio será o novo Google.

Tudo tem um principio e um fim. Os grandes já foram pequenos, e pequenos voltarão a ser. A questão é que o que tem morto prematuramente muita empresa na área tecnológica é a recusa em inovar, pretendendo que rodear a sua joia da coroa com novas pedras preciosas de valor discutível será suficiente para se manterem no topo. Afinal não foi isso que aconteceu ao Yahoo e à Netscape? Mas no fim, o público responde sempre da forma mais cruel (e natural); se um novo serviço responde às suas exigências e necessidades, mudam no mesmo dia.

Estou a gostar da discussão marfig.

Sem dúvida. Também eu. :)

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Mas a SN esta sempre existiu com outras formas. Desde os Newsgroups que transferiram para a internet o legado das BBS, as Mailing lists, mais tarde o IRC, e os web forums, finalmente a Blogosfera. Não existe uma real revolução que justifique a grandeza de um "Web 2.0". Tanto que o termo é um buzzword, um a chavão que não é reconhecido por muitos ou realmente entendido por ninguém. Tal revolução terá necessariamente que ser tecnológica, a meu ver. O que seria para mim a Web 2.0? Será o IPv6 sem dúvida, a substituição do HTML (um tema vasto ao qual decidi providenciar apenas este link. Poderá ser discutido noutra altura), a solução para problemas eminentes como web fonts, a procura de novos protocolos mais adequados às exigências dos dias de hoje bem como a unificação da programação web. Estes, e talvez outros mais são alguns dos aspectos que a meu ver colocam a internet em geral, e a web em particular, no caminho do tal titulo de 2.0. Nunca, de modo algum, a dita SN que ninguém sabe bem o que é que que todos sabem ser tão velha quanto a internet... e mais ainda.

Redes sociais sempre existiram sim, mas "web 2.0" não é só isso. Devo antes de mais fazer notar que web 2.0 não se trata de uma revolução em termos tecnológicos, é apenas uma revolução comportamental não propriamente dos utilizadores da internet, mas mais das empresas e webdeveloppers que vêem a internet como um meio para um fim. E a mudança e a diferença vieram pelo facto dessas entidades começarem a adoptar aquilo que os próprios utilizadores sempre naturalmente fizeram em IRC/newsgroups, etc, a dar-lhes as ferramentas para que pudessem criar ligações entre eles. Isto era,penso eu, uma revolução natural e previsível e que talvez não merecesse tanta importância, mas a web2.0, como eu disse, não é só isso. É o poder para o utilizador, a personalização. Agora estamos ligados a todos, mas se quisermos é-nos dado o poder de desligar-mo-nos e de recebermos e interagirmos com a informação à nossa medida enquanto que antes o que eu recebia era o que o mundo recebia e a minha opinião tinha pouco importância (não, claro, nos newsgroups e partes da web que já tinham componentes sociais).

E aqui começam os problemas Miguel. O Google já praticamente matou o SEO. Na realidade serviços SEO para a web são o equivalente do vendedor de automóveis usados; basicamente vendem gato por lebre porque a verdade é que ninguém sabe o que está por detrás do algoritmo do google. Com a adição deste serviço em que o utilizador passa a controlar o que quer ou não ver (vá-se lá saber porquê, uma vez que o principio da pesquisa é que não se sabe o que esta vai devolver, mas adiante) o SEO leva o golpe de misericórdia.

É um bom ponto de facto. No entanto, com um Digg-like Google tu não controlas o que vai aparecer à priori, tu controlas apenas depois de olhares para os resultados e os analisares e aí fazes as tuas modificações para futuras pesquisas. O SEO, embora hoje em dia seja praticamente Black Magic, continua com a sua validade se te conseguir aparecer nessa primeira pesquisa como um top result. Se depois da tua análise o site for de facto útil e merecedor da sua posição contínua lá, senão tu próprio te encarregas de o fazer desaparecer e aí sim, o site caí no esquecimento. Tu próprio tens portanto o poder de entrerrar sites que usem tentativas agressivas de SEO sem providenciarem o conteúdo que dizem ter. Será que o Google é que devia fazer isso por nós? Sem dúvida, e penso que tentam, mas isso não torna inútil o poder que te é agora dado.

No entanto, e dada a magia negra que envolve o SEO, com um Google social não me admiraria nada que bot-networks começassem desenfreadamente a Upar tais sites, aproveitando-se assim da falha de tudo o que é social na web: a personificação da máquina.

E aqui voltamos ao problema essencial... uma pesquisa web tem de ser objectiva. Penso que é seguro afirmar que o Google não cairá nesse erro e muito provavelmente a pesquisa Google dita normal poderá não vir a ser influenciada por esta componente SN(?). Sinceramente espero que assim venha a ser. Preferia no entanto que toda a energia dispendida no desenvolvimento deste tipo de soluções, o fosse no entanto no core dos serviços Google. Isto é, no PangeRank (e muito há a fazer aqui) e na criação de um novo modelo de apresentação de resultados, tal como sugeri no post anterior.

Bem, o problema da objectividade só partiu do facto de eu dizer que poderia depois haver um sistema em que o Google te apresentava sugestões conforme a tua actividade, mas geralmente nenhum website tem implementado esse tipo de sistema como os seus resultados por omissão, apresentando-os apenas em áreas distintas, ou em cantos da páginas fáceis de ver mas claramente separados (o Digg tem neste momento uma área àparte para esse sistema de recomendações). Provavelmente o Google faria isso pois decerto seria uma grande falta de produtividade para os utilizadores se os resultados apresentados tivessem todos a ver com a history do utilizador e nenhum deles fosse o que era realmente pretendido.

Tudo tem um principio e um fim. Os grandes já foram pequenos, e pequenos voltarão a ser. A questão é que o que tem morto prematuramente muita empresa na área tecnológica é a recusa em inovar, pretendendo que rodear a sua joia da coroa com novas pedras preciosas de valor discutível será suficiente para se manterem no topo. Afinal não foi isso que aconteceu ao Yahoo e à Netscape? Mas no fim, o público responde sempre da forma mais cruel (e natural); se um novo serviço responde às suas exigências e necessidades, mudam no mesmo dia.

Concordo. Como medida global o Digg-like não muda muito, e poderá piorar bastante (bot.nets), mas dou muito valor ao facto de poder personalizar os resultados que me são apresentados, e penso que é uma boa feature, embora talvez um preciosismo quando comparado com o potencial de inovação que ainda existe para o motor de busca do Google.

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Deixaste-me a pensar em alguns pontos. Daí não ter respondido mais cedo :D

E a mudança e a diferença vieram pelo facto dessas entidades começarem a adoptar aquilo que os próprios utilizadores sempre naturalmente fizeram em IRC/newsgroups, etc, a dar-lhes as ferramentas para que pudessem criar ligações entre eles.

Bom argumento. No entanto questiono o valor dessa "melhoria" quando se limita a coisas tão espúrias como um processo de votação de 1 a 5 e comentários anónimos. Mas isso é apenas a minha opinião no que considero ser mais importante na definição de um "web upgrade" como o do 2.0. Vale o que vale.

Entretanto, sem dúvida que noto diferenças nessa área. Existe uma maior abertura do meio empresarial à participação das comunidades de usuários. Justifica a ideia de uma Web 2.0? Pessoalmente penso que não. Partilho da mesma opinião do Berners-Lee. Mas como defendi anteriormente estou condicionado na minha opinião pelo facto de considerar que isso só pode passar por uma evolução tecnológica.

Poderia ser uma evolução comportamental como sugeres. Mas teria necessariamente que ser mais visível. Sabes... penso que acertei na alvo! Era este o raciocínio que eu estava à procura. Para que se possa falar de uma Web 2.0 teríamos que presenciar um evento - ou série de eventos - que analisados à posteriori não deixassem dúvidas sobre os seus efeitos e a sua importância na redefinição ou "upgrade" da Web. O facto da actual noção de Web 2.0 ser largamente contestada por uns e defendida por outros não reúne o consenso necessário à sua adopção. O que torna a definição, portanto, ineficaz na sua tentativa de descrever um acontecimento dito histórico. Para muitos, eu inclusivé, não existe aqui nenhum acontecimento histórico. Apenas uma evolução natural. O que é que achas?

Enfim... voltando ao Google que é o que interessa :D

É um bom ponto de facto. No entanto, com um Digg-like Google tu não controlas o que vai aparecer à priori, tu controlas apenas depois de olhares para os resultados e os analisares e aí fazes as tuas modificações para futuras pesquisas.

É. Tenho que manter isso sempre em mente. E o facto de isto ser apenas ainda um objecto em estudo.

No entanto, e dada a magia negra que envolve o SEO, com um Google social não me admiraria nada que bot-networks começassem desenfreadamente a Upar tais sites, aproveitando-se assim da falha de tudo o que é social na web: a personificação da máquina.

Nem precisas de ir tão longe. O fenómeno de "self empowerment" patente em casos tão distintos como as votações para o Festival Eurovisão da Canção ou as Novas 7 Maravilhas são uma realidade na internet que será (é já assim no Digg) ampliada caso este modelo seja adoptado no Google. Indianos e massa a votarem nos seus sites, ou os amigos do Zé a votarem no dele...

Bem, o problema da objectividade só partiu do facto de eu dizer que poderia depois haver um sistema em que o Google te apresentava sugestões conforme a tua actividade

Hmm... nah. O problema da subjectividade á mais vasto do que isso. O parágrafo anterior é outro exemplo. Mais haverá. A questão é que um motor de pesquisa necessita de providenciar modelos objectivos que assegurem a qualidade dos resultados (qualidade em termos de fiabilidade dos resultados face às keywords introduzidas). Ora, se um processo de votação condiciona os resultados apresentados, mesmo que seja apenas na sua ordem, por mais pequeno que seja o efeito este é sempre errado do ponto de vista estatístico.

Ora, necessariamente este modelo será opcional para o utilizador do Google. Mas opcional significa alternativa. E alternativa significa que vai ser usado... e talvez mesmo por uma importante percentagem da comunidade cibernauta. A questão que se coloca então é como se posiciona uma empresa neste modelo de apresentação de resultados em que não vai conseguir controlar de forma alguma o seu posicionamento na listagem? Pior, quando até os aspectos semânticos do seu website (keywords, word clouds, etc...) são abandonados em favor das preferências, culturas e ideologias de quem faz uma pesquisa? Não se acabou de deitar abaixo todas as ideias até agora construídas sobre como deve ser um motor de pesquisa?

Fica uma nota final...

Até que ponto é que eu estarei errado? Sabes... é que por outro lado, eu posso ter acabo de definir o motor de pesquisa ideal. Ou seja, não será correcto afirmar que o resultado mais correcto é aquele que satisfaz o maior número de utilizadores?

Mas só um problema se mantém... imaginemos o novo Google em 2015, nuns hipotéticos 3 anos depois de ter implementado este tipo de pesquisa. Se procurar por "Microsoft" provavelmente pouco ou nada mudou... mas o que acontecerá se procurar por "Social Network"? Será que vou ver o que vejo hoje, ou os primeiros resultados serão a música de uma qualquer banda com o mesmo nome e o website do manel que todos os amigos votaram e que por acaso até  tem aquelas duas palavras algures?

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