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saramgsilva

Carta aberta ao Senhor Presidente da República Portuguesa

20 mensagens neste tópico

Boas,

encontrei num outro fórum esta carta aberta e gostaria de partilhar com alguns de vocês:

CAROS AMIGOS E COLEGAS, RECEBI POR MAIL ESTA CARTA, QUE ACHO OBRIGATÓRIO PARTILHAR CONVOSCO...

Carta aberta ao Senhor Presidente da República Portuguesa

Ílhavo, 22 de Outubro de 2007

Senhor Presidente da República Portuguesa

Excelência:

Disse V. Excia, no discurso do passado dia 5 de Outubro, que os professores precisavam de ser dignificados e eu ouso acrescentar: “Talvez V. Excia não saiba bem quanto!”

1. Sou professor há mais de trinta e seis anos e no ano passado tive o primeiro contacto com a maior mentira e o maior engano (não lhe chamo fraude porque talvez lhe falte a “má-fé”) do ensino em Portugal que dá pelo nome de Cursos de Educação e Formação (CEF).

A mentira começa logo no facto de dois anos nestes cursos darem equivalência ao 9º ano, isto é, aldrabando a Matemática, dois é igual a três!

Um aluno pode faltar dez, vinte, trinta vezes a uma ou a várias disciplinas (mesmo estando na escola) mas, com aulas de remediação, de recuperação ou de compensação (chamem-lhe o que quiserem mas serão sempre sucedâneos de aulas e nunca aulas verdadeiras como as outras) fica sem faltas. Pode ter cinco, dez ou quinze faltas disciplinares, pode inclusive ter sido suspenso que no fim do ano fica sem faltas, fica puro e imaculado como se nascesse nesse momento.

Qual é a mensagem que o aluno retira deste procedimento? Que pode fazer tudo o que lhe apetecer que no final da ano desce sobre ele uma luz divina que o purifica ao contrário do que na vida acontece. Como se vê claramente não pode haver melhor incentivo à irresponsabilidade do que este.

2. Actualmente sinto vergonha de ser professor porque muitos alunos podem este ano encontrar-me na rua e dizerem: ”Lá vai o palerma que se fartou de me dizer para me portar bem, que me dizia que podia reprovar por faltas e, afinal, não me aconteceu nada disso. Grande estúpido!”

3. É muito fácil falar de alunos problemáticos a partir dos gabinetes mas a distância que vai deles até às salas de aula é abissal. E é-o porque quando os responsáveis aparecem numa escola levam atrás de si (ou à sua frente, tanto faz) um magote de televisões e de jornais que se atropelam uns aos outros. Deviam era aparecer nas escolas sem avisar, sem jornalistas, trazer o seu carro particular e não terem lugar para estacionar como acontece na minha escola.

Quando aparecem fazem-no com crianças escolhidas e pagas por uma empresa de casting para ficarem bonitos (as crianças e os governantes) na televisão.

Os nossos alunos não são recrutados dessa maneira, não são louros, não têm caracóis no cabelo nem vestem roupa de marca.

Os nossos alunos entram na sala de aula aos berros e aos encontrões, trazem vestidas camisolas interiores cavadas, cheiram a suor e a outras coisas e têm os dentes em mísero estado.

Os nossos alunos estão em estado bruto, estão tal e qual a Natureza os fez, cresceram como silvas que nunca viram uma tesoura de poda. Apesar de terem 15/16 anos parece que nunca conviveram com gente civilizada.

Não fazem distinção entre o recreio e o interior da sala de aula onde entram de boné na cabeça, headphones nos ouvidos continuando as conversas que traziam do recreio.

Os nossos alunos entram na sala, sentam-se na cadeira, abrem as pernas, deixam-se escorregar pela cadeira abaixo e não trazem nem esferográfica nem uma folha de papel onde possam escrever seja o que for.

Quando lhes digo para se sentarem direitos, para se desencostarem da parede, para não se virarem para trás olham-me de soslaio como que a dizer “Olha-me este!” e passados alguns segundos estão com as mesmas atitudes.

4. Eu não quero alunos perfeitos. Eu quero apenas alunos normais!!!

Alunos que ao serem repreendidos não contradigam o que eu disse e que ao serem novamente chamados à razão não voltem a responder querendo ter a última palavra desafiando a minha autoridade, não me respeitando nem como pessoa mais velha nem como professor. Se nunca tive de aturar faltas de educação aos meus filhos por que é que hei-de aturar faltas de educação aos filhos dos outros? O Estado paga-me para ensinar os alunos, para os educar e ajudar a crescer; não me paga para os aturar! Quem vai conseguir dar aulas a alunos destes até aos 65 anos de idade?

Actualmente só vai para professor quem não está no seu juízo perfeito mas se o estiver, em cinco anos (ou cinco meses bastarão?...) os alunos se encarregarão de lhe arruinar completamente a sanidade mental.

Eu quero alunos que não falem todos ao mesmo tempo sobre coisas que não têm nada a ver com as aulas e quando peço a um que se cale ele não me responda: “Por que é que me mandou calar a mim? Não vê os outros também a falar?”

Eu quero alunos que não façam comentários despropositados de modo a que os outros se riam e respondam ao que eles disseram ateando o rastilho da balbúrdia em que ninguém se entende.

Eu quero alunos que não me obriguem a repetir em todas as aulas “Entram, sentam-se e calam-se!”

Eu quero alunos que não usem artes de ventríloquo para assobiar, cantar, grunhir, mugir, roncar e emitir outros sons. É claro que se eu não quisesse dar mais aula bastaria perguntar quem tinha sido e não sairia mais dali pois ninguém assumiria a responsabilidade.

Eu quero alunos que não desconheçam a existência de expressões como “obrigado”, “por favor” e “desculpe” e que as usem sempre que o seu emprego se justifique.

Eu quero alunos que ao serem chamados a participar na aula não me olhem com enfado dizendo interiormente “Mas o que é que este quer agora?” e demorem uma eternidade a disponibilizar-se para a tarefa como se me estivessem a fazer um grande favor. Que fique bem claro que os alunos não me fazem favor nenhum em estarem na aula e a portarem-se bem.

Eu quero alunos que não estejam constantemente a receber e a enviar mensagens por telemóvel e a recusarem-se a entregar-mo quando lho peço para terminar esse contacto com o exterior pois esse aluno “não está na sala”, está com a cabeça em outros mundos.

Eu sou um trabalhador como outro qualquer e como tal exijo condições de trabalho! Ora, como é que eu posso construir uma frase coerente, como é que eu posso escolher as palavras certas para ser claro e convincente se vejo um aluno a balouçar-se na cadeira, outro virado para trás a rir-se, outro a mexer no telemóvel e outro com a cabeça pousada na mesa a querer dormir?

Quando as aulas são apoiadas por fichas de trabalho gostaria que os alunos, ao sair da sala, não as amarrotassem e deitassem no cesto do lixo mesmo à minha frente ou não as deixassem “esquecidas” em cima da mesa.

Nos últimos cinco minutos de uma aula disse aos alunos que se aproximassem da secretária pois iria fazer uma experiência ilustrando o que tinha sido explicado e eles puseram os bonés na cabeça, as mochilas às costas e encaminharam-se todos em grande conversa para a porta da sala à espera que tocasse. Disse-lhes: “Meus meninos, a aula ainda não acabou! Cheguem-se aqui para verem a experiência!” mas nenhum deles se moveu um milímetro!!!

Como é possível, com alunos destes, criar a empatia necessária para uma aula bem sucedida?

É por estas e por outras que eu NÃO ADMITO A NINGUÉM, RIGOROSAMENTE A NINGUÉM, que ouse pensar, insinuar ou dizer que se os meus alunos não aprendem a culpa é minha!!!

5. No ano passado tive uma turma do 10º ano dum curso profissional em que um aluno, para resolver um problema no quadro, tinha de multiplicar 0,5 por 2 e este virou-se para os colegas a perguntar quem tinha uma máquina de calcular!!! No mesmo dia e na mesma turma outro aluno também pediu uma máquina de calcular para dividir 25,6 por 1.

Estes alunos podem não saber efectuar estas operações sem máquina e talvez tenham esse direito. O que não se pode é dizer que são alunos de uma turma do 10º ano!!!

Com este tipo de qualificação dada aos alunos não me admira que, daqui a dois ou três anos, estejamos à frente de todos os países europeus e do resto do mundo. Talvez estejamos só que os alunos continuarão a ser brutos, burros, ignorantes e desqualificados mas com um diploma!!!

6. São estes os alunos que, ao regressarem à escola, tanto orgulho dão ao Governo. Só que ninguém diz que os Cursos de Educação e Formação são enormes ecopontos (não sejamos hipócritas nem tenhamos medo das palavras) onde desaguam os alunos das mais diversas proveniências e com histórias de vida escolar e familiar de arrepiar desde várias repetências e inúmeras faltas disciplinares até famílias irresponsáveis.

Para os que têm traumas, doenças, carências, limitações e dificuldades várias há médicos, psicólogos, assistentes sociais e outros técnicos, em quantidade suficiente, para os ajudar e complementar o trabalho dos professores?

Há alunos que têm o sublime descaramento de dizer que não andam na escola para estudar mas para “tirar o 9º ano”.

Outros há que, simplesmente, não sabem o que andam a fazer na escola…

E, por último, existem os que se passeiam na escola só para boicotar as aulas e para infernizar a vida aos professores. Quem é que consegue ensinar seja o que for a alunos destes? E por que é que eu tenho de os aturar numa sala de aula durante períodos de noventa e de quarenta e cinco minutos por semana durante um ano lectivo? A troco de quê? Da gratidão da sociedade e do reconhecimento e do apreço do Ministério não é, de certeza absoluta!

7. Eu desafio seja quem for do Ministério da Educação (ou de outra área da sociedade) a enfrentar ( o verbo é mesmo esse, “enfrentar”, já que de uma luta se trata…), durante uma semana apenas, uma turma destas sozinho, sem jornalistas nem guarda-costas, e cumprir um horário de professor tentando ensinar um assunto qualquer de uma unidade didáctica do programa escolar.

Eu quero saber se ao fim dessa semana esse ilustre voluntário ainda estará com vontade de continuar. E não me digam que isto é demagogia porque demagogia é falar das coisas sem as conhecer e a realidade escolar está numa sala de aula com alunos de carne, osso e odores e não num gabinete onde esses alunos são números num mapa de estatística e eu sei perfeitamente que o que o Governo quer são números para esse mapa, quer os alunos saibam estar sentados numa cadeira ou não (saber ler e explicar o que leram seria pedir demasiado pois esse conhecimento justificaria equivalência, não ao 9º ano, mas a um bacharelato…).

É preciso que o Ministério diga aos alunos que a aprendizagem exige esforço, que aprender custa, que aprender “dói”! É preciso dizer aos alunos que não basta andar na escola de telemóvel na mão para memorizar conhecimentos, aprender técnicas e adoptar posturas e comportamentos socialmente correctos.

Se V.Excia achar que eu sou pessimista e que estou a perder a sensibilidade por estar em contacto diário com este tipo de jovens pergunte a opinião de outros professores, indague junto das escolas, mande alguém saber. Mas tenha cuidado porque estes cursos são uma mentira…

Permita-me discordar de V. Excia mas dizer que os professores têm de ser dignificados é pouco, muito pouco mesmo…

Atenciosamente

Domingos Freire Cardoso

Professor de Ciências Físico-Químicas

Rua José António Vidal, nº 25 C

3830 - 203 ÍLHAVO

Tel. 234 185 375 / 93 847 11 04

E-mail: dfcardos@gmail.com

Ílhavo, 29 de Outubro de 2007

Assunto: Carta aberta ao Sr Presidente da República

À Sra Dra Fátima Campos Ferreira

Os meus respeitosos cumprimentos:

Para vosso conhecimento envio cópia da carta aberta por mim endereçada ao Sr Presidente da República.

Grato pela atenção

Domingos Freire Cardoso

Professor de Ciências Físico-Químicas

Rua José António Vidal, nº 25 C

3830 - 203 ÍLHAVO

Tel. 234 185 375 / 93 847 11 04

E-mail: dfcardos@gmail.com

um realidade bem perto de todos nós e bem longe daqueles que deviam estar bem perto do caso!

bom trabalho

tofas

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5. No ano passado tive uma turma do 10º ano dum curso profissional em que um aluno, para resolver um problema no quadro, tinha de multiplicar 0,5 por 2 e este virou-se para os colegas a perguntar quem tinha uma máquina de calcular!!! No mesmo dia e na mesma turma outro aluno também pediu uma máquina de calcular para dividir 25,6 por 1.

Estes alunos podem não saber efectuar estas operações sem máquina e talvez tenham esse direito. O que não se pode é dizer que são alunos de uma turma do 10º ano!!!

Com este tipo de qualificação dada aos alunos não me admira que, daqui a dois ou três anos, estejamos à frente de todos os países europeus e do resto do mundo. Talvez estejamos só que os alunos continuarão a ser brutos, burros, ignorantes e desqualificados mas com um diploma!!!

Recuso-me a acreditar. Conheço muita gente de Cursos Profissionais e sabem fazer essas contas na perfeição. Mas comparando os critérios de avaliação da malta dos cursos profissionais com os do ensino "normal", acho uma discrepância gigante...

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boas,

eu acredito nisso!Quem anda no mundo do ensino depara com situações muito complicadas e por vezes ridículas!

Uma vez na praxe testei os caloiros em relação á tabuada, lol, pois é e muitos deles não sabia a tabuada na ponta da língua....e eram caloiros de matemática!

Por isso já nada me surpreende!

bom trabalho

tofas

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5. No ano passado tive uma turma do 10º ano dum curso profissional em que um aluno, para resolver um problema no quadro, tinha de multiplicar 0,5 por 2 e este virou-se para os colegas a perguntar quem tinha uma máquina de calcular!!! No mesmo dia e na mesma turma outro aluno também pediu uma máquina de calcular para dividir 25,6 por 1.

Estes alunos podem não saber efectuar estas operações sem máquina e talvez tenham esse direito. O que não se pode é dizer que são alunos de uma turma do 10º ano!!!

Com este tipo de qualificação dada aos alunos não me admira que, daqui a dois ou três anos, estejamos à frente de todos os países europeus e do resto do mundo. Talvez estejamos só que os alunos continuarão a ser brutos, burros, ignorantes e desqualificados mas com um diploma!!!

Recuso-me a acreditar. Conheço muita gente de Cursos Profissionais e sabem fazer essas contas na perfeição. Mas comparando os critérios de avaliação da malta dos cursos profissionais com os do ensino "normal", acho uma discrepância gigante...

Eu acredito e já vi coisas piores que estas!

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boas,

eu acredito nisso!Quem anda no mundo do ensino depara com situações muito complicadas e por vezes ridículas!

Uma vez na praxe testei os caloiros em relação á tabuada, lol, pois é e muitos deles não sabia a tabuada na ponta da língua....e eram caloiros de matemática!

Por isso já nada me surpreende!

bom trabalho

tofas

Acho "aceitável" não saberem a lengalenga toda da tabuada. Mas multiplicar um nº por 2, ou dividir por 1 (!!!)..

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Eu até já ouvi histórias dessas da boca de um professor.

6. São estes os alunos que, ao regressarem à escola, tanto orgulho dão ao Governo. Só que ninguém diz que os Cursos de Educação e Formação são enormes ecopontos (não sejamos hipócritas nem tenhamos medo das palavras)

Perdão, no ecoponto o lixo é separado. Os "restos" vão todos para o mesmo sitio.

É notório que professores têm pouco autoridade. Com  um pouco de azar quem passa mal não é o aluno mal comportado mas o professor que o tenta corrigir.

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Epa... sinceramente, isto é mesmo um queixume vindo do típico professor de ciclo/liceu. A queixar-se de tudo e de todos e dizendo que tudo está mal para ele, e que aprender custa, a pedir sacrificio, etc.

A carta, apesar de eu não ter a mais pequena duvida da veracidade dos argumentos apresentados, é longa demais, chata e acaba por não se centrar em nenhum problema em concreto nem em solução nenhuma.

Começou bem desmascarando os politicos a passearem o seus rabos gordos nos estofos de cabedal dos seus BMW e a questionar o valor das aulas especiais ou lá o que é aquilo, mas depois foi um descalabro completo de lugares comuns. O problema do ensino não é um problema do sistema de ensino, é um problema socal sério. Isso é bem obvio após a análise de todos os problemas mencionados nesta carta.

Como problema social que é precisa de soluções que actuem num plano social e não só dentro do gradeamento da escola. Mesmo esse gradeamento, que é um objecto físico, é um triste sinal de como é atrasado o plano social deste país. E agora defendendo os professores, é triste que se tente encontrar soluções discutindo a qualidade dos docentes e do sistema de ensino, isso tem importancia claro, mas não é aí que está o problema sério a resolver.

Este governo é chefeado por um partido que se chama "socialista" mas que há muito esqueceu as origens da sua denominação, se é que alguma vez as respeitou. Fatalmente, o outro partido com uma fatia eleitoral suficiente para formar governo tem exactamente o mesmo problema.

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Mas ele parecendo que não apresenta a solução. A solução passa por deixar de tratar os putos como se eles não tivessem responsabilidades nem obrigações. Já o meu avô dizia "quem é grande para roubar também é grande para ser castigado", porra, se deixam os putos fazerem o que eles querem, se ninguem os orientar eles vão optar pelo caminho mais facil.

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Mas ele parecendo que não apresenta a solução. A solução passa por deixar de tratar os putos como se eles não tivessem responsabilidades nem obrigações. Já o meu avô dizia "quem é grande para roubar também é grande para ser castigado", porra, se deixam os putos fazerem o que eles querem, se ninguem os orientar eles vão optar pelo caminho mais facil.

Mas soluções milagrosas não existem. Ok, eu acredito que muita gente tenha fé nesse tipo de soluções...mas olha lá... como é que se consegue isso? Se ele próprio afirma que há familias que não estão minimamente estruturadas para educar os putos...

O que eu disse resume-se basicamente a um esforço enorme, sério e continuado na população portuguesa no seu todo. Mais acesso a informação, formação a quem a procura seja no sector privado seja na função publica ou mesmo entre reformados. Educação gratuita em qualquer nivel, condições para se estudar... alternativas ao plano de estudos convencionais. Planeamento e gestão do património humano, acção social eficiente, e podia estar aqui a noite toda.

Nenhuma politica que mexa com as escolas ou com os professores, ou com os alunos ou com a cor do giz nos quadros vai fazer a diferença. O problema é bem mais sério que isso e não se resolve com duas ou tres medida, mas com um plano sério e honesto, que é coisa que neste país simplesmente não existe.

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Portugal está numa luta desesperada contra a falta de qualificados..., mas esquece-se da qualidade.

Portugal tem a fama de ser um dos países com menos licenciados e com uma taxa ainda significativa de pessoal que só tem o ensino obrigatório e a alternativa que encontraram foi darem facilidades, mas facilidades sem serem ponderadas.

Os pais de hoje em dia já não vêm os seus filhos como pessoas, vêm como seres angelicais e não impingem nenhuma educação porque não acreditam que os seus filhos tenham falta dela. A minha mãe trabalha numa escola primária e até já foi gozada por uma mãe quando ela reclamou da má educação do seu filho.

Se houvesse uma "multa" por quem reprovava, certamente que os pais iriam ter mais atenção ao comportamento dos seus filhos, e a educação já começava a passar por casa em vez de ser "incumbida" à escola. Muitos pais levam demasiado à letra a designação de Ministério da Educação e descartam esta responsabilidade.

Mas verdade seja dita, a vida já não é o que era. Enquanto eu fui criado pelos meus avós e bisavós até aos 6 anos, recebendo alguns valores logo de criança, hoje em dia os putos são criados num jardim infantil e ainda nem sabem comer.

Tenho uma prima de 3 anos que perguntou à mãe se a irmã é p*ta porque lhe disseram isso no jardim, a reacção da mãe foi tentar explicar que era uma palavra feia e que não se deveria dizer, em contra partida eu já assisti a algo BEM parecido e a reacção da mãe foi começar a rir às gargalhadas pela "gracinha" da sua filhota.

O gajo pode ter muita razão no que diz, o estado anda a dar demasiados facilitismos, mas o problema começa em casa, não no estado.

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Um aluno pode faltar dez, vinte, trinta vezes a uma ou a várias disciplinas (mesmo estando na escola) mas, com aulas de remediação, de recuperação ou de compensação (chamem-lhe o que quiserem mas serão sempre sucedâneos de aulas e nunca aulas verdadeiras como as outras) fica sem faltas.

Porque é que aulas, não são iguais a aulas?

Alguém pode explicar-me?

Eu quero alunos que não estejam constantemente a receber e a enviar mensagens por telemóvel e a recusarem-se a entregar-mo quando lho peço

Eu nunca fiz nada do género, mas o primeiro professor que tentasse tirar-me algo que é minha propriedade teria que mo tirar à força.

É preciso que o Ministério diga aos alunos que a aprendizagem exige esforço, que aprender custa, que aprender “dói”!

Isso é uma parvoice e é em parte por isso que temos o insucesso escolar que temos. Aprender não pode "doer"! E enquando os didatas não meterem isso na cabeça, nada vai mudar.

Recuso-me a acreditar. Conheço muita gente de Cursos Profissionais e sabem fazer essas contas na perfeição. Mas comparando os critérios de avaliação da malta dos cursos profissionais com os do ensino "normal", acho uma discrepância gigante...

Não é uma questão de serem de cursos profissionais, ou não! Eu já vi de tudo,em todo o lado. Eu já vi programadores que desenvolvem software de rede e outros especialistas de TI e telcomunicações que não sabem o que é um sniffer!!!

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Eu, como professor e como "não pai", só me apetece dizer "A culpa é dos pais!" :thumbsup:

Já ouvi muitos dizer que a culpa é dos professores. Já ouvi aqueles que dizem que a culpa é do país. Já ouvi aqueles que dizem que a culpa é das famílias. Já ouvi aqueles que dizem que a culpa é dos ministérios e dos governos. Já ouvi aqueles que dizem que a culpa é dos manuais. Já ouvi aqueles que dizem que a culpa é da televisão.

Mas nunca, NUNCA, ouvi aqueles que têm a solução!

Para mim a solução é experimentar soluções. Deixem os professores mudar sem ter que enviar cartas aos pais a pedir autorização para tudo. É só papel para isto e para aquilo. Não se pode inovar no ensino, a inovação que há é aparente e está presa nas amarras da burocracia. Há computadores? Há. Para quê? Resolver exercícios tradicionais, alguns são mesmo exercícios de sebentas de meados do século passado.

Há que criar condições para os alunos experimentarem, e não estou a falar de experimentar misturar Na com água. Falo de estágios em variadíssimas profissões. A partir do 7 ano, os alunos deveriam ter 2/3 disciplinas, baseadas nas actividades regionais, onde aprendessem a trabalhar. Na maioria dos casos, as pessoas ficam-se pelo que experimentam primeiro, acham que há tanta gente a gostar de informática porquê? Os miúdos crescem com os computadores. Os miúdos querem ser jogadores de futebol porquê? As pessoas não experimentam! Há que educar esta competência, dar a conhecer variadíssimas profissões.

Pode parecer esquisito, mas esta é a minha opinião, é a minha solução. Se é boa ou não, penso que ninguém sabe até experimentar. Não me venham com Suécia e Noruega, isso é uma realidade social completamente diferente e para adoptarmos esses sistemas há que modificar toda a sociedade(impossível se tivermos em conta que a maior parte dos portugueses acha que conduz bem! :) )

Para mim, no caso da Matemática, a inovação passa por andar na rua. Claro que há que saber as regras do jogo, mas ver o jogo é também educativo e o jogo da Matemática está em todo o lado.

Há, no entanto, coisas com que não posso concordar. Uma delas é colocarem a escola virtual(porto editora) no interior da escola como uma coisa muito boa, como inovação. Outra é o facilitismo, pode-se inovar, pode-se mudar, mas nunca, nunca se deve baixar o nível de exigência no ensino. Quem não está preparado para passar não passa. Não pode deixar de haver testes, há directivas do ministério que indicam para que um aluno pode passar com base em portfólios, orais ou mesmo só com participação no quadro. Então para quê, no final de cada ciclo colocar exames??

Outra ainda, continuando na nova moda do facilitismo: pessoas que adquirem o 9º ano em 6 meses e em mais 6 meses ficam com o 12º.

Não entendo porque temos 6 anos de escolaridade quando o mesmo governo reconhece pessoas os fazem em 1 ano!

Disse.

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Eu quero alunos que não estejam constantemente a receber e a enviar mensagens por telemóvel e a recusarem-se a entregar-mo quando lho peço

Eu nunca fiz nada do género, mas o primeiro professor que tentasse tirar-me algo que é minha propriedade teria que mo tirar à força.

A mim também me teria que o tirar à força, mas eu não mando mensagens numa aula, e nunca um telemóvel meu fez qualquer ruído numa aula. Eu se fosse professor não tentava tirar o telemóvel ao aluno, apenas o convidava a sair da sala de aula.

O problema do nosso país é simples, o governo quer muita gente com diplomas, mesmo que sejam um bando de ignorantes. Só espero que esta onde de facilitismo não chegue às universidades...

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Pode parecer esquisito, mas esta é a minha opinião, é a minha solução. Se é boa ou não, penso que ninguém sabe até experimentar. Não me venham com Suécia e Noruega, isso é uma realidade social completamente diferente e para adoptarmos esses sistemas há que modificar toda a sociedade(impossível se tivermos em conta que a maior parte dos portugueses acha que conduz bem! Smiley )

Bem... tenho que responder a este parágrafo por várias razões, não necessariamente discordando.

Experimentar é o que se faz exactamente nos liceus Suecos e confirmo exactamente o que dizes, as pessoas têm que saber do que gostam e não gramar só com teoria. Em qualquer casa sueca há por exemplo uma peça de mobiliário feita pela dono da casa ( "Olha... esta mesa onde estamos a comer fiz eu nas aulas de caprintaria no ciclo" ) , O resto de todo o recheio da casa vem do IKEA eheheh. A realidade social é diferente... claro que é, mas é exactamente aí que reside o problema e a solução. Eu já chamei à atenção para isso nos dois tópicos anteriores: não há solução sem sem politicas que actuem sobre toda a sociedade.

É dificil e demora muito tempo, mudar a sociedade, mas que raio, jamais será impossível! Quanto a mim o que é preciso fazer neste momento é as pessoas receberem um sinal. Até agora só vi mensagens como: "trabalhe mais para o país andar para a frente", "pague todos os impostos, se estes aumentam é para bem do país", só coisas a pedir... e contrapartidas?

Claro... o portuga pode ser matarruano e ter muitos outros defeitos, mas não é nenhum anjinho... claro que se eu vejo os politicos a tratarem da sua vidinha e mais nada, não vou estar muito preocupado por não pagar este ou aquele imposto, já que o dinheiro não vai ser usado de forma justa.

O nossos governos estão à espera de convencer as pessoas a andarem com isto para a frente, mas não enfrentam nenhuns bois pelos cornos... tudo quanto é interesse de tudo quanto é riquinho continua intacto. É caso para dizer: grande avaria que andam a fazer.

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O problema é que as escolas não têm "autonomia" para experimentarem.

Vejam o caso das Universidades, salvo erro a Universidade do Algarve quer (ou está) a experimentar um método de ensino totalmente inovador..., cadeiras por módulos.

Um aluno só tem 2 cadeiras, mas essas duas cadeiras são dadas de forma intensiva durante 2 meses, ao fim desses 2 meses são feitos os 2 exames, e segue-se outro módulo.

Ao fim de 10 meses o aluno pode fazer 20 cadeiras..., e provavelmente até as fez mesmo, pois em cada 2 meses só se dedicou a 2, só trabalhos de 2, só aulas de 2.

Resultado: Melhores resultados nos alunos + Mais tempo para os investigadores, pois têm 2 meses para dedicar às aulas e depois é investigação

As universidades podem fazer isto..., as escolas já não...

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Não entendo porque temos 6 anos de escolaridade quando o mesmo governo reconhece pessoas os fazem em 1 ano!

Depende da intensidade das aulas e da exigência na avaliação. Como desconheço o sistema abstenho-me de o criticar.

A mim também me teria que o tirar à força, mas eu não mando mensagens numa aula, e nunca um telemóvel meu fez qualquer ruído numa aula. Eu se fosse professor não tentava tirar o telemóvel ao aluno, apenas o convidava a sair da sala de aula.

No meu tempo nem haviam tantos telemoveis... Mas mesmo com outras coisas nunca fiz nada que perturbasse a aula.

Quanto às opções do professor tem o pedir ao aluno para desligar o telemovel e mandar o aluno para fora da aula.

O problema do nosso país é simples, o governo quer muita gente com diplomas, mesmo que sejam um bando de ignorantes. Só espero que esta onde de facilitismo não chegue às universidades...

Eu acho que já está em algumas...

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O problema é que as escolas não têm "autonomia" para experimentarem.

Vejam o caso das Universidades, salvo erro a Universidade do Algarve quer (ou está) a experimentar um método de ensino totalmente inovador..., cadeiras por módulos.

Um aluno só tem 2 cadeiras, mas essas duas cadeiras são dadas de forma intensiva durante 2 meses, ao fim desses 2 meses são feitos os 2 exames, e segue-se outro módulo.

Ao fim de 10 meses o aluno pode fazer 20 cadeiras..., e provavelmente até as fez mesmo, pois em cada 2 meses só se dedicou a 2, só trabalhos de 2, só aulas de 2.

Resultado: Melhores resultados nos alunos + Mais tempo para os investigadores, pois têm 2 meses para dedicar às aulas e depois é investigação

As universidades podem fazer isto..., as escolas já não...

Mas este método deixa de avaliar a capacidade dos alunos de lidarem com várias matérias ao mesmo tempo (a questão que se coloca é se um aluno deve ser avaliado neste aspecto ou não).

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Rui Carlos, até concordava contigo se na altura de avaliarem os trabalhos os meus professores tivessem isso em conta..., o que não acontece.

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Depende da intensidade das aulas e da exigência na avaliação. Como desconheço o sistema abstenho-me de o criticar.

Por muito intensas que sejam, não podem bater 6 anos de estudos. Em contas redondas, considero que um aluno tem umas 5h por dia de aulas (contas muito redondas, se virmos que no básico não é nada assim). Agora, multiplica isso por 20 dias (4 semanas por mês) e por 8 meses de aulas (para descontar férias pelo meio). Multiplicando por 8 anos (5º-12º ano), dá 6400h.

Agora divide as 5400h por 365 dias, e vês que tinham de ter 17h de aulas por dia, todos os dias do ano, para atingirem o nº de horas que os outros alunos levam.

Agora, mesmo ignorando tudo o que escrevi em cima. Se num ano esses alunos têm o 12º, porquê andarem os outros alunos 8 anos para fazer o mesmo? Não achas uma discrepância um pouco grande de tempo?

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Rui Carlos, até concordava contigo se na altura de avaliarem os trabalhos os meus professores tivessem isso em conta..., o que não acontece.

Se tu não fores capaz de fazer várias coisas "ao mesmo tempo", isso reflectir-se-á nos trabalhos/testes, logo isso é tido em conta na tua avaliação indirectamente.

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