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Bomba gay vence Ig Nobel da Paz de 2007

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in: http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1306622

Ciência insólita faz rir e depois pensar

Bomba gay vence Ig Nobel da Paz de 2007

05.10.2007 - 00h31 Marta Ferreira dos Reis

A fórmula da bomba gay é fácil de encontrar na Internet. São três páginas originais, com os componentes rasurados a marcador e algumas notas escritas à mão. Mas a ideia é simples: Usar químicos que influenciem o comportamento humano para desviar a disciplina e moral do inimigo. O curioso exemplo, que ganhou o Prémio IgNobel da Paz 2007 na cerimónia menos ortodoxa da comunidade científica, sugere "afrodisíacos fortes, especialmente químicos que provoquem comportamentos homossexuais".

Os laureados esta noite na 17ª edição dos Prémios IgNobel, na Universidade de Harvard, falam entre outras coisas de aroma de baunilha extraído de estrume, estudos de jetlag e linguagem em ratos e tigelas sem fundo para perceber o problema da obesidade. Ao todo são dez investigações de conteúdo sério, mas improvável. Os prémios são atribuídos todos os anos no início de Outubro e brincam com o lado ignóbil de alguns estudos científicos. Há quem ache ridículo o ênfase que dão ao caricato, mas também há fãs em número suficiente para que a iniciativa da revista satírica "Annals of Improbable Research", que anualmente distingue descobertas que "primeiro fazem rir e depois pensar", sobreviva desde 1991.

O desenrolar da cerimónia na prestigiada universidade norte-americana, pode dizer-se, é tudo menos académico. Pelo meio, apontamentos como um discurso com a palavra "galinha" repetida durante dois minutos seguidos ou a estreia da mini-ópera "Galinha contra Ovo", em alusão ao tema non-sense desta edição, tradições como as palavras de abertura "Welcome, Welcome" ou as de despedida "Goodbye, Goodbye" e um momento solene em que a audiência, cerca de 1200 pessoas, atira aviões de papel para o palco, explicam as reticências dos críticos mais tradicionais. Mas há mais: Os discursos de agradecimento só podem ter um minuto de duração e o tempo é controlado por uma menina de oito anos que berra "estou aborrecida" quando os investigadores se excedem.

As dúvidas desfazem-se na entrega dos prémios por genuínos Nobel, os mais prestigiados laureados do mundo. Ontem, já depois do fecho desta edição, terão subido ao palco Craig Mello, Nobel da Medicina em 2006, Roy Glauber, Nobel da Física em 2005, ou Dudley Herschbach, Nobel da Química em 1986, e William Lipscomb, Nobel da Química em 1976.

Este ano os IgNobel foram distribuídos pelos cinco continentes. A reacção é quase sempre igual: Não foi premeditado mas era previsível. Os trabalhos abrangem áreas como a nutrição, aviação, linguística e literatura mas também clássicos como a medicina, física ou química, biologia e paz. Não são anedotas científicas, foram publicados em revistas científicas ou patenteados antes serem galardoados pelo seu lado curioso.

"Não vejo nenhuma contradição em levar uma investigação a sério e receber um IgNobel. Claro que não estávamos a pensar nisso quando desenvolvemos o nosso estudo mas percebemos que a combinação das palavras hamsters, Viagra e jetlag possa ser divertida", disse ao PÚBLICO Diego Golombek, co-autor do estudo que mereceu ontem o IgNobel da Aviação. A equipa de investigadores argentinos, a primeira latino-americana distinguida, descobriu que um dos componentes activos do Viagra tinha um efeito regenerador na molécula responsável pela coordenação do ritmo cardíaco com a luz solar, em ratos.

Fazem ciência com graça

Brian Wansink convidou 62 pessoas para um almoço de sopa à borla. O objectivo era perceber se o comportamento alimentar se alterava se, em vez de doses de sopa, os convidados comessem em tigelas com fundo falso em que o alimento nunca acabava. Segundo o investigador norte-americano, comeram mais 73 por cento do que teriam comido em circunstâncias normais, sem se sentirem cheios. A equipa concluiu que estímulos, como não ver o fim ao que se está a comer, influenciam directamente as quantidades comida. O estudo ganhou o IgNobel da Nutrição.

"As investigações de grande qualidade não têm de ser pesadas e secas. Pode-se pensar fora do tradicional e mesmo assim sair numa revista científica", disse o investigador ao PÚBLICO. Os Ignóbeis "são seriamente divertidos e eficazes porque despertam o interesse de pessoas que normalmente não acham a ciência interessante. Se geram mais interesse e se o fazem de forma divertida, então dão um grande contributo", acrescentou.

Myu Yamamoto desenvolveu um processo para extrair vanilina, o princípio activo da baunilha, a partir de estrume de vaca. A invenção é utilizada numa conhecida geladaria em Massachusetts, nos Estados Unidos. Depois de ter sido homenageado com um gelado, o Yum-a-Moto Vanilla Twist, é o mais recente IgNobel químico.

O prémio de linguística foi para uma equipa de investigadores espanhóis responsáveis pela afirmação: "Os ratos às vezes não conseguem distinguir entre uma pessoa a falar japonês de trás para a frente e uma pessoa a falar holandês de trás para a frente". "Há uma grande discussão na neurociência acerca da linguagem humana. Resultados recentes, como os nossos e os de outros laboratórios, mostram que os processos de aquisição e processamento da linguagem não são exclusivamente humanos mas partilhados por outras espécies e desenvolvidos por propósitos não linguísticos", disse ao PÚBLICO Juan Toro, co-autor do trabalho.

"A maior parte dos estudos que ganham Ignóbeis são sérios, só que abordam os problemas de forma inovadora. É verdade que desde o início sabíamos que um artigo que misturasse linguagem e ratos ia chamar a atenção das pessoas", acrescentou.

Johanna van Bronswijk começou nos anos 1970 a fazer o inventário de todos os seres vivos encontrados em camas e mobiliário envolvente - insectos, aranhas, pseudo-escorpiões, crustáceos, bactérias, algas e fungos. "Fiquei muito surpreendida quando fui nomeada para um IgNobel. Nunca tinha pensado nisto desta maneira. Por outro lado, acho que projectos como este podem ajudar a superar o abismo entre a ciência e o público em geral", disse.

O IgNobel da Medicina foi para um insólito estudo sobre os efeitos colaterais de engolir espadas, o da Literatura para o problema do artigo "the" na língua inglesa quando se quer ordenar coisas por ordem alfabética e o da economia para um mecanismo para apanhar ladrões instantaneamente, inventado por Kuo Cheng Hsieh, um investigador de Taiwan que não chegou a ser contactado porque terá "desaparecido misteriosamente", disse a organização em comunicado.

Os novos laureados juntam-se a pérolas da ciência como um estudo galardoado que dizia que os buracos negros do universo preenchiam todos os requisito para serem o Inferno, a invenção de um flamingo de plástico cor-de-rosa ou um despertador enervante que se esconde dos donos sonolentos para os obrigar a sair da cama. "Se não ganhou um prémio e especialmente se ganhou, melhor sorte para o ano", é normalmente a última frase da cerimónia.

Já li um livro feito um dos ignobeis de um ano anterior com várias explicações científicas sobre p.e. qual a melhor forma de molhar uma bolacha na chávena :D

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Onde é que este mundo vai parar!

A Madre Teresa de Calcutá deve tar a remoer-se na cova!

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um despertador enervante que se esconde dos donos sonolentos para os obrigar a sair da cama.

GENIAL! Quero um desses!

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Já vi foi um despertador "puzzle", que se despedaçava para os 4 cantos do quarto e só parava de tocar quando novamente montado :P

Curti isso dos igNobeis, não conheci mas de facto é uma forma "divertida" de falar de coisas sérias! Se formos bem a ver, se este prémio existisse há 500 anos, algumas das coisas que hoje em dia são senso comum na altura teriam ganho este prémio :) Quem sabe se dentro de alguns anos não vamos ver um igNobel aplicado ao nosso quotidiano? :P

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Já agora, uma pequena curiosidade dos IgNobel.

É tradição atirarem-se aviões de papel para o palco onde são apresentados os prémios. A limpar a papelada que fica no chão, há sempre o mesmo senhor: Roy Glauber, o chamado "Keeper of the Broom".

Em 2005, o senhor Roy Glauber não pode limpar os aviões de papel do chão da cerimónia porque...... estava em Estocolmo a receber o Nobel da Física :)

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